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sábado, 27 de novembro de 2010

No passado dia 18 de Outubro deu entrada na OGMA o F-16A OCU nº15115 para dar início aos trabalhos do processo de conversão MLU. Volvidos quase 9 anos desde o início deste processo de modernização da frota F-16 da Força Aérea Portuguesa na OGMA(*), nada de especial faria assinalar esta data, não fora o "15115" um aparelho dotado de tão profundo e forte simbolismo, fruto do soberbo trabalho de pintura que, durante pouco mais de um ano, ostentou.
Merecidamente já muito foi dito e escrito sobre o "Sabre", nome pelo qual irá indelevelmente ficar na memória de todos os que seguem estes temas de perto...

O número de fotos de entusiastas, "spotters" e até de fotógrafos de imprensa credenciada difundidos pela internet e por várias revistas da especialidade é, por razões mais que óbvias, enorme, tornando este aparelho, a par dos saudosos FIAT G.91 e Alpha Jet com pinturas especiais para os NATO Tiger Meet, um dos aviões mais fotografados da história da Força Aérea Portuguesa. Com o advento e massificação da fotografia digital, quem sabe senão o mais fotografado de todos os tempos. Mas, se já tanto foi dito e mostrado, porquê mais um texto sobre o "15115"?
Em primeiro lugar porque nunca é demais falar de um verdadeiro ícone da "nossa" Aviação Militar. Um ícone ainda contemporâneo e que ostentou na fuselagem a simbologia de um legado já com mais de meio século de história do qual tantos se orgulham. Em segundo porque quis o desígnio do destino que, passados três anos desde a minha passagem pela OGMA, motivos profissionais me levassem a regressar, uma vez mais, ao local onde passei alguns anos da minha vida, justo no momento em que era iniciado o MLU ao "15115".
Não é comum, e será talvez inédito, que o Walkarounds apresente artigos escritos na primeira pessoa ou com cariz pessoal. Contudo, dada a natureza do assunto a que se remete este texto, abro aqui uma excepção. Uma excepção porque não há forma mais apropriada de falar sobre um aparelho que mexeu com a vida de tantas pessoas, desde os autores da ideia inicial, passando pelos que a promoveram e levaram a bom porto, até aos que diariamente dedicaram as suas vidas a permitir e a elevar o "Sabre" aos céus, cumprindo as várias missões que lhe foram atribuídas.
Não tendo tido uma ligação muito forte com esta aeronave, fruto do meu afastamento das "lides" aeronáuticas que incluiu um período de ausência que só, muito intermitentemente, me permitia "matar saudades" dos "meus" aviões, não pude acompanhar de perto esta curta existência do "Sabre". Pude, contudo, aparte da presença no dia das Cerimónias do 51º Aniversário da Base Aérea 5, encontrar e gravar na memória, o estado em que encontrei o "15115" apresentando a característica degradação da pintura nas superfícies mais sujeitas ao desgaste e já despojado de asas e planos de cauda após o início da Doca 2. Uma visão que, naquele momento, e aos olhos de um apaixonado pelas coisas do ar, me comoveu de forma muito profunda… era o terminar de um capítulo, atrevo-me a dizê-lo, cheio de glória. Refeito do choque emocional cedo me consciencializei que assim são as coisas. Tudo tem um princípio, um meio e um fim e que a presença do "15115" na OGMA significa o início de uma nova fase da vida operacional deste aparelho.
Confesso que um dos motivos que me levou a escrever estas linhas era o quase vazio de referências ao "Sabre" no Walkarounds. É verdade que, enquanto equipa, acompanhámos o seu primeiro voo na tarde chuvosa do dia 22 de Julho de 2009 e que dele apresentámos algumas fotos. Contudo faltava um registo digno de nome.
Quero, com este texto, inspirado pela foto que dá título a esta entrada, retratando uma frase que, de tão simples, tão bem capta o sentimento de orgulho de tantos quantos de perto viveram a experiência de dedicar parte de suas vidas a esta aeronave tão especial e que, para mim, vale mais que mil palavras, prestar uma merecida homenagem e tributo a todos vós, alguns dos quais tenho o privilégio de conhecer, e a quem dedico estas palavras, terminando com um singelo mas profundo...

Muito obrigado!
Nuno Martins
(*) A modificação dos primeiros dois aviões protótipo na OGMA teve início em Janeiro de 2002.

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